casa da sogra

A balada e o táxi, o noivo e a sogra

Outubro 11, 2009 · 12 Comentários

(A saga da noiva estressada)

Após muitos acontecimentos e um tempo sem postar, tenho mais novidades ruins do que boas.

Sobre o dia 29/08 (eu me enganei no post Domingo conturbado com sogra histérica falando que seria a partir do dia 27 o final de semana): Saímos como eu disse para uma baladinha, me arrumei esplendorosa com um vestido de bojo e comprimento a um palmo acima do joelho, casaco estilo detetive por cima e peep toe de verniz preto. Eu estava toda decidida, minha mãe até me questionou quanto a eu estar certa se iria com aquela roupa pois voltaríamos de ônibus, e eu respondi na maior convicção: “Quem disse que vamos voltar de ônibus? Vamos de táxi”. Certamente a posição de vocês, meninas, ao me aconselharem que sair de táxi algumas vezes no fim de semana não o deixaria pobre e garantiria um trajeto tranqüilo de ida e volta estava e está totalmente correta. Meus pais foram me deixar na casa dele e aproveitando a carona nos deixaram na balada, pois era caminho de casa. Já antes de entrarmos falei para ele:

Eu: – Que horas vai terminar aí?

Ele: – Acho que vai até às 5h, mas só vamos sair depois que começar a rodar os ônibus

Eu: – Ai, mas eu vou estar muito cansada para voltar de ônibus, e olha como eu estou vestida amor. A gente não poderia chamar um táxi?

Ele: -Ih, olha só, já ta começando de novo. Tá querendo um táxi

Eu: – Estou começando com o que? Apenas pedi para que chamasse um táxi para nós..

Ele: – Amor, você por um acaso conhece algum ponto de táxi por perto?

Eu: – Não, mas eu tenho telefone aqui

Ele: – Mas você deveria me avisar para eu vir com mais dinheiro, eu não sabia que você ia querer andar de táxi.

Eu: – Você não precisava vir com mais dinheiro e nem eu de te avisar. Daqui a sua casa são 5km, cada km sai R$2,80, e bandeira 2 daria R$13,60.

Ele: – Mas eu não sei quanto vai sobrar de dinheiro

Eu: – É só você reservar 14 reais para o táxi, oras

Ele: – Tá, vamos ver no final da noite isso.

Entramos na balada, eu já um pouco invocada, e após alguns minutos começou as lamentações dele: “Amor, estou me sentindo sufocado. Está todo mundo cobrando coisas de mim, até você agora me cobrando um táxi pra voltar” – não hesitei em retrucar e falei: “ei, não me venha comparar as cobranças dos outros com o meu pedido porque eu não estou te pedindo nada demais, ta? Faça pelo menos isso.”

“mas eu tenho que ver se o dinheiro vai dar, eu não vim com muito dinheiro.”

“independente da quantia que você trouxe, que sei que não foi pouco pelo o que te conheço, não fará falta nenhuma reservar 14 reais. Uma dose de alguma coisa aqui é R$8,00, então serão 2 bebidas a menos. Te fará falta? Se você acha que não vai conseguir lembrar de não gastar, separe em outro bolso o dinheiro do táxi.”

“ta amor, vamos ver, vamos ver…”

Eis que o bonitão me vêm falar as 3h da manhã o seguinte:

“já que você quer um taxi , você tem crédito para ligar para um? Eu deixei o meu celular em casa”

“Meu, como você me faz uma coisa dessas? Compra o maldito celular para deixar em casa?”

“Eu não quero ser encontrado por ninguém”

“Então deixa ele desligado, fofura.”

“Quer dizer que não vamos voltar de táxi?”

“Não, amor. E outra, prefiro gastar com bebida aqui dentro do que com táxi.”

Isso foi o suficiente para abrir uma discussão fazendo retrospectiva sobre todos os problemas dele, eu falar da minha insatisfação e qualquer outro tipo de assunto desagradável para estragar uma noite que tinha tudo para ser bacana.

Ele chorou e ficamos falando sobre essas coisas até às 6h da manhã. Resultado da digníssima filosofia dele: voltamos a pé, pela primeira vez ele estava Mahakeshi (começando a ficar chapadinho), e eu andando de salto pelas calçadas esburacadas de Santo André toda bonitona me sentindo uma derrotada e todos que estavam passando pela rua olhando para a gente porque eu estava fazendo TOC TOC com o sapato, mais alta que ele, e ele me puxando pra calçada e às vezes pra rua quando a calçada não era muito boa como se eu estivesse de pantufa para acompanhar as passadas de elefante dele: “temos que andar rápido porque não quero perder o ônibus” ¬¬ e eu respondi: “se você tivesse chamado um táxi isso não estaria acontecendo”, aí quando eu falava isso ele perguntava: “você está brava comigo?”. Não é de foder?

Aí quando chegamos no terminal tivemos que ficar no ponto de ônibus esperando o Oficial liberar o motorista, eu em pé já com a perna detonada e ele com aquela cara de vítima e eu tendo que ser compreensível. Passei a viagem inteira calada e quando abria a boca era para reclamar que meus pés estavam doendo e ele me olhava com aquele olhar de: “eu sei que eu sou um crápula, mas eu prefiro beber a pagar um táxi”. Fora que ainda por cima pegamos um motorista que estava completamente BÊBADO, e eu além de estar com os pés doendo, segurando um choro em forma de nó na garganta, ainda tive que me preocupar em se eu ia morrer dentro de um ônibus em pleno domingo ou não.

Se aproximando do ponto que iríamos descer ele se aproximou da porta e ficou se apoiando nela, eu disse que não era para ele fazer aquilo, pois quando abrisse ele ia cair, e foi o que quase aconteceu se eu não tivesse segurado o homem. Ainda tivemos que passar na “padoca” e andar de lá até a casa dele segurando minha bolsa e sacolas de baguete e doces (pois se ele segurasse ia destruir tudo). Ainda ele inventa de me dar um susto e quase torço o pé, fora que a tornozeleira estava entrando no calcanhar do sapato e incomodando o meu andar que já estava mais do que fodido.

Finalmente chegando na casa dele ele começou com uns papos estranhos: “você não me ama”, e daí quando entro no corredor e ele abre a porta descubro que minha sogra estava acordada para nos amolar (nisso já era 7h da manhã de domingo), me questionando o porque da minha cara estar daquele jeito:

“Tá invocadinha n…?”, “Porque você está tão sem graça?”, aí veio ele dizer: “ah, ela tá brava comigo só pq queria voltar de taxi”, e lá vem ela: “Hã, de taxi?”, e ele: “ela queria que eu pagasse R$15 (eram 13,60 caralho!!!) para virmos até aqui”, dai vem a sra economista:

“Ai, taxi é muito caro, 15 reais é um absurdo, é melhor voltar de ônibus” ¬¬¬¬

“É que ela não tá acostumada a andar de ônibus, j…” (percebeu só agora é??)

“Ai, tá com as pernas doendo né?” (não, apenas caminhei 2km com um salto de 7cm)

Depois de agüentar a sessão de perguntas idiotas da sogra calada, pois se eu abrisse minha boca alguém ali seria xingado, e ver ela malhando o filho porque ele estava bêbado (dessa vez eu gostei, mas eu não estava com pernas para ficar vendo aquilo), subimos, eu já bem estranha com ele para não falar merda, ele solta: “nossa, não sei como você agüentou andar tudo aquilo com esse salto enorme”.. É mole? ¬¬

Após ele começar a dormir feito um porco fui me trancar no banheiro para chorar, pois eu passei a noite inteira firme e engoli a seco o que ele me fez. No final da tarde notei que eu estava em um dos pés com um machucado horroroso, que não chegava nem a ser bolha mas sim um ferimento em carne viva e fui embora quieta pra casa, quando foi de segunda para terça quebrei o pau com ele no MSN.

Quase terminamos, eu disse que queria um tempo para pensar e que esse tempo faria ele refletir também. Até que mais tarde sou acordada por um telefonema dele me pedindo desculpa, dizendo que eu mereço um táxi, um carro, e todo o conforto e que ele não soube demonstrar isso direito. E que sempre que sairmos ele chamará um táxi e eu não vou precisar me preocupar com isso, já quanto às brigas entre ele e a mãe ele daria um jeito. No sábado seguinte ele me conta que neste dia (uma quarta-feira) ele foi conversar com a mãe dele, falando: “Mãe, acho que eu e a n… não vamos mais dar certo. “, ela perguntou o porque e ele falou: “ela ficou muito chateada por termos voltado de ônibus, e eu realmente estava bêbado e ela não gostou. Mãe, o pé dela estava carne viva quando chegamos, e eu fui muito estúpido com ela no MSN.”, resposta surpreendente da mãe dele: “ Que isso, j…? Como você pôde permitir que a menina voltasse a pé até o terminal e ter pego ônibus do jeito que ela estava? Eu pensei que fosse frescura dela, mas se ela ficou com o pé assim era para você ter ido andando até o ponto de táxi independente se fosse longe ou não e ela esperasse você voltar”.

Daí eu fiquei de boca aberta quando ele me contou e até disse: “o que? Sua mãe falando isso? Meu deus, e eu dizendo aquilo dela…”, “é, a sogra que você tanto odeia estava te defendendo de mim”. Até pensei em pedir desculpa a ela, mas como ela não sabia de nada do que eu falava sobre o comportamento dela achei melhor deixar pra lá. Na mesma noite fomos jogar boliche com um casal de amigos, e ele mexendo na carteira foi falando: “já estou separando dinheiro para o táxi, ta?”, e eu respondi: “mas vamos voltar de carro com seu amigo, esqueceu?”, “eu sei, mas eu não estou afim de ouvir esta noite” (acho que o homem ficou maluco e ao mesmo tempo traumatizado). Depois disse que seria uma das últimas vezes que eu sai de ônibus para balada e que está para dar certo um negócio que eu mesma preferi que ele não me contasse para não dar tudo errado, pois até hoje todos os planos foram por água abaixo.

Tenho mais histórias desde o dia 29/08 que deixarei para outro post, um beijo a todas.

Noiva estressada

Categorias: mais um causo cabeludo

12 respostas Até agora ↓

  • Sr Rodrigues // Outubro 12, 2009 às 8:22 pm

    vc ta mais é q certa menina. Tem q rasgar o verbo mesmo. Gostei da sua atitude…

  • Thaty // Outubro 13, 2009 às 12:43 am

    Parabéns, gostei de ver!
    Num dá, boi não!

  • Srta. Timóteo // Outubro 13, 2009 às 10:38 am

    Que bom que ele se conscientizou, a única coisa preocupante é que ele só conseguiu enxergar a sua necessidade através da voz da mãe dele.
    Se ele tivesse ficado do lado dele, ele estaria com a mesma postura.
    Viva a sogrex.

  • Noiva Estressada // Outubro 14, 2009 às 4:24 am

    sim, isso também me preocupa ainda. Antes os dois estavam certos, depois que ela ficou do meu lado ele se viu como o errado e veio me pedir desculpa, senão eu continuaria sendo vista como a errada na situação, a interesseira e a pidona, como eu mesma coloquei para ele no dia da discussão. Agora ele está tomando jeito, e eu estou podando um pouco pra ver se ele se toca.

    Em nenhum momento eu achei que eu estava errada, por mais que venha aqui a mulher mais boazinha que aceita passar por qualquer situação desagradável em nome do amor e defendê-lo. Ninguém vive só de amor, né garotas?

  • milly // Outubro 14, 2009 às 1:31 pm

    O que ele fez foi uma tremenda falta de respeito com você.
    Gostei da sua atitude de ter quebrado o pau com ele. Que cara mais folgado.. rs..
    Boa sorte querida.

  • Lady B. // Outubro 15, 2009 às 10:51 am

    Rpz
    Folgado e pão duro…´só de eu ouvir “prefiro gastar com bebibda do que com táxi” eu pegaria minha grana, e deixava separado, na hora de ir embora eu dizia, vá de onibus pq eu vou só, pegava um taxi e deixava o puto a pé.

  • Maria // Outubro 15, 2009 às 1:15 pm

    Lady, tô contigo. Eu voltava de táxi e deixava o folgado voltar à pé.

  • Noiva Estressada // Outubro 15, 2009 às 7:24 pm

    meninas, eu poderia ter feito isso, mas aquele dia eu fui totalmente despreparada para essa situação, acreditando na bondade e no cavalheirismo dele, e foi aí que eu acabei me fodendo. Mas mesmo depois de ele agora falar aquilo, que sempre quando formos sair ele vai chamar um táxi, eu já irei preparada, pois ele costuma a ter umas recaídas e voltar tudo atrás.

    E podem falar mesmo, é puto, folgado e pão duro, totalmente muquirana comigo, mas com ele já não é

  • Dani // Outubro 16, 2009 às 9:51 am

    Querida, eu tenho duas perguntas:
    1. porque nào compra você mesma um carro, se isso te incomoda tanto?
    2. porque você não leva o dinheiro e volta de taxi, deixando ele voltar de ônibos? Aparentemente a volta de ônibus TE incomoda mas não O incomoda. Assim, eu no seu lugar levaria o dinheiro e voltaria de táxi. Sem stress.

  • Noiva Estressada // Outubro 16, 2009 às 8:18 pm

    Dani:

    1. Porque eu não tenho a menor condição para isso (mas ele tem e muita, por isso falo tanto sobre o assunto com ele)
    2. Das vezes que saímos, antes desse acontecimento, eu não me importava muito pois eu ia vestida para a volta de onibus, e dessa vez eu fui conforme a descrição no começo do texto, esperando confiante que ele teria uma atitude cavalheira e para minha surpresa não teve, agora sim, das próximas vezes irei preparada $ para o taxi, e ele que vá a pé, de onibus ou de jegue, como for.

    Me incomoda muito mesmo, pra sair assim ninguém merece. Mas claro, se a condiçao financeira dele não fosse das melhores, não exigiria nada mesmo, só que não é o caso. O cara tem e é muquiarana, isso me deixa com raiva. Não consegue fazer um agrado, não pensa no meu conforto, só pensa nele. Por isso mesmo tomarei essas medidas que todas falaram, quando necessário. Obrigada

  • Lady B. // Outubro 18, 2009 às 8:26 pm

    Noiva
    Eu entendo sua situação, vc é do tipo que pensa em nós enquanto ele pensa na 1ª do singular, eu.
    Mas qndo vc conversa o sacana acha que vc cobra pq quer se encostar nele. Tudo pro cara é motivo de dizer depois “vc me pressiona, vc me cobra” e fazer vc parecer um monstro.
    Ele age igualzinho a meu noivo em alguns momentos, no meu caso, não peço, faço, se vc não pode comprar o carro, comece a só sair com ele quando tiver grana pra isso e se ele perguntar deixe claro o motivo. Enquanto vc demonstrar q espera dele alguma coisa, ele vai agir como um macho alfa e ainda ficar sacaneando. Acredite, ser mais independente e mandar o cara tomar no cu de vez enquando faz bem ao relacionamento, desde que nunca falte ao respeito. Tem que ser sutil, educada.
    Comece a ser sacana tb. O daqui tá dificil de dobrar mas aos poucos tenho conseguido.

  • Dani // Outubro 19, 2009 às 9:02 am

    Noiva, eu acho o seguinte: para o seu namorado não é importante comprar um carro, ele não vai comprar, ponto final. Eu, no lugar dele, estaria é bastante irritada com este tipo de cobrança.
    Sendo muito sincera, vendo a história de fora, eu acho que você tem que tomar muito, mas muito cuidado, porque fica bem fácil as pessoas te interpretarem mal e acharem você interesseira.
    Concordo com a Lady, independência nunca é demais e não faz mal a ninguém

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