Minha primeira filha teve problemas de saúde bem importantes. Ela foi internada nos primeiros dias de vida, fez uma cirurgia cardíaca com 10 meses de idade, etc, etc. Na época eu sofri muito para dar conta de todos os cuidados com ela e não tive ajuda dos meus pais em nada. Eu cheguei a ter depressão, por ficar em apartamento o dia inteiro sozinha cuidando da minha filha e tendo muitos compromissos de saúde com ela. Tive que parar de trabalhar para cuidar dela.
Quando ela tinha 1 ano e um mês eu engravidei novamente. Então fiquei preocupada com as escadas do meu apartamento (eu morava no terceiro andar e não tinha elevador). Minha filha mais velha ainda não andava. Como eu iria subir e descer escadas com a minha filha mais velha no colo, mais bolsas e mais barriguda? (Quem mandou não pensar nisto antes, né? rsrsrs Mas … podem acreditar … eu quis a minha segunda filha, ela foi planejada e foi como se eu tivesse ganhado na loteria. Foi a decisão mais acertada da minha vida).
Voltando ao assunto. Então meu pai me convidou para morar na antiga casa deles, que fica do lado da nova. E minha mãe, que já estava aposentada, poderia me ajudar com as meninas. Eu aceitei e fui, feliz da vida, morar ao lado dos meus pais.
Mas, na verdade, a minha mãe nunca se mostrou muito disposta a cuidar da minha filha. Eu evitava ao máximo de pedir ajuda a ela. Só pedia pra ela cuidar da minha filha quando inevitavelmente, eu tinha que sair.
Quando eu estava grávida de 5 meses da segunda filha, precisei voltar ao trabalho. Pedi pra minha mãe ficar com a minha filha mais velha durante três meses, pois o pediatra alertou que ela não poderia freqüentar escolinhas ainda, por causa de seu estado frágil de saúde. A minha mãe, um pouco contra a vontade, aceitou. Eu levava a minha filha na casa dela às 13h e meu marido a buscava às 18h. Minha filha tirava um soninho de duas horas no período vespertino. Ou seja: minha mãe só cuidava dela durante umas quatro horas e nas horas que a minha filha estava acordada a minha mãe cuidava da casa dela. A minha filha era atendida somente nas necessidades básicas: troca de fraldas, lanche da tarde e banho. E eu pagava um salário mínimo para minha mãe. E eu sempre me sentia desconfortável e culpada, como se estivesse incomodando minha mãe.
Depois nasceu minha segunda filha e voltei a ficar em casa novamente. Senti que minha mãe ficou aliviada por não precisar mais ter aquele compromisso. E a história se repetia: sempre que eu pedia pra minha mãe ficar com as meninas para eu poder fazer alguma coisa (ir ao médico, levar uma delas ao médico, pagar contas, comprar alguma coisa), a minha mãe não demonstrava muito boa vontade. Ela sempre tinha compromissos, eu tinha que primeiro ver a “agenda” dela antes de marcar alguma coisa. Então eu evitava ao máximo pedir a ela.
Então precisei voltar ao trabalho novamente. Eu não queria deixar minhas filhas numa escolinha, mas a minha mãe, mesmo sem eu ter falado nada, já tinha deixado bem claro que só cuidaria delas em últimos casos.
Então as coloquei numa escolinha. Elas ficaram doentes, doentes, doentes. Até que a mais velha foi internada com pneumonia, enquanto a mais nova estava com infecção no ouvido. A minha mãe ficou com a mais nova em casa, enquanto eu ficava no hospital com a mais velha. E o pediatra me orientou que não as colocasse em escolinhas por uns meses.
Quando retornamos do hospital, pensei que minha mãe se ofereceria para cuidar das minhas filhas, afinal ela tinha dito que em últimos casos ela o faria. Para minha surpresa, meu pai, assim que me viu chegando do hospital, falou que eu teria que dar um jeito de arrumar alguém para cuidar das minhas filhas, pois a minha mãe não tinha mais idade pra isto. Fiquei triste e estupefada com a frieza de meu pai.
Então fui procurar alguém que pudesse cuidar das minhas filhas. Graças a Deus encontrei uma pessoa maravilhosa. Ela vai até minha casa e fica das 13h às 19h. Dá banho, comida, cuida das roupas, dos brinquedos e do quarto delas. A mais velha, hoje com 5 anos, já sabe ler e escrever (e nem foi pra escola ainda) e já sabe várias palavras em inglês. A mais nova, de 3 anos, reconhece quase todas as letras do alfabeto, sabe escrever seu nome e mais algumas palavras,conta de 1 a 10 em inglês, etc, etc. Elas aprendem brincando. Esta moça, além de babá, é professora, é educadora, ensina bons modos, etc. Foi um anjo que caiu do céu. E eu pago um salário mínimo a ela. O mesmo que pagava pra minha mãe que não fazia cinco porcento do que esta moça faz.
É lógico que eu saí ganhando nesta história toda. Pois esta moça é mil vezes melhor do que a minha mãe para cuidar das meninas. Mas eu fico muito chateada com minha mãe, pois ela sempre fez toda uma panca de mártir, de santa, de boazinha, de perfeita e maravilhosa, que ajuda todo mundo, etc, etc. E eu acreditava nisto tudo!
E esta história com as minhas filhas me fez ver que ela não é nada disto. É só papo pra boi dormir!
Meses atrás, falei tudo isto que eu pensava à minha mãe. Ela não falou nada. E depois disto, sempre que eu peço pra ela ficar com as minhas filhas, quando tenho algum compromisso, ela nunca mais fez corpo mole. Sempre se prontifica imediatamente.
Outro dia, perguntei para a irmã da minha mãe (minha tia) que cuida do neto o dia inteiro, quanto ela recebia por isto. Ela falou: “Nada, não ganho nada. Eu cuido do meu neto porque eu gosto!”.
Detalhe: Fiz esta pergunta, propositadamente, na frente da minha mãe. E a resposta da minha tia não poderia ter sido melhor.
Léo.